segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

(crítica - disco) Prurient – Bermuda Drain  (2011; Hydra Head Records, EUA)

Não dá pra falar em Prurient sem falar um pouquinho a respeito de Dominick Fernow, o cara que desde 1998 carrega nas costas o selo Hospital Productions e traz na bagagem quase uma centena de lançamentos, todos em edições ridiculamente limitadas. Também não podemos deixar de notar o desenvolvimento técnico do Dom, que ao longo desses treze anos conseguiu encontrar seu próprio estilo. É nítida a influência do Cold Cave (projeto Synthpop que conta com a colaboração de Dominick Fernow) em algumas músicas do Bermuda Drain, o que pode assustar os fãs mais antigos.  "Many Jewels Surround the Crown" tem uma pegada Coldwave pesadíssima, enquanto "A Meal Can be Made" soa como um Minimal Synth anfetaminado. Nem de longe lembra o Noise hostil de albuns como o History of AIDS, do longínquo ano de 2002.

"Bermuda Drain" soa familiar, soa mais Prurient do que as faixas anteriores. Aquele lance mais Noise/Drone característico dos trabalhos do Dom. "Watch Silently" tem vocais muito bem colocados, em meio a uma teia de ruídos. Vertiginosamente caótica, como uma escada em formato de caracol, em que a cada degrau ultrapassado intensifica-se a ansiedade e o desconforto. "Palm Tree Corpse" tem synths delicados e uma linha de baixo derretida, que cria uma atmosfera realmente triste - a frase “if I could, I’d take a tree branch and ram it inside you", repetida diversas vezes ao longo da música, define bem o sentimento de impotência das vezes em que sentimos ódio de alguém e não podemos fazer nada a respeito. É uma mistura de tristeza e náusea que todo mundo sente, vez ou outra. A diferença é que algumas pessoas lidam com o fracasso de uma maneira totalmente estúpida, outras fazem arte. É uma linha tênue que separa o artista do psicopata.

Em "There are still secrets", o Minimal Synth volta acompanhado de um vocal alucinado, que pouco utilizou pedais de efeito. A música lembra os projetos Black Metal do qual o Dom faz parte, especialmente o Ash Pool. "Let's make a Slave" provoca tensão com seu beat persistente e vocal sussurrado, e "Myth of Sex" tem uma estrutura confusa. "Sugar Kane Chapel" fecha o disco com o som de águas correntes e sintetizadores acompanhados por um Dominick inspirado no spoken word, ganhando um aspecto mais grave e soturno ao longo do tempo, terminando com um fio de esperança: "Peace is coming". Quem sabe, né?

Thiago Miazzo

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