segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

(crítica - disco) White Ring - Black Earth That Made Me (2010; Disaro Records; EUA)

White Ring é um duo formado no Brooklin por Kendra Malia e Bryan Kurkimilis e um dos projetos mais legais de todo esse rolê Drag/Witch House. Pra quem ainda não está familiarizado com o termo, vamos lá: pense em BPM's rastejantes, sintetizadores gelados com uma forte inspiração na cena post-punk dos anos 80, aquele vocal borrado do shoegaze e aura lo-fi. Resumindo, música eletrônica encardida. Em 2010, a dupla lançou Black Earth That Made Me, pela Disaro Records, em formato 12”.

“I xC 999” parece um rap feito por alguém que passou a vida inteira ouvindo darkwave. O resultado é um instrumental downtempo, um synth sujão e uma batida minimal que dão base pro vocal cheio de suíngue mórbido. No refrão rola o som de tiros, tipo “Thug Luv”, do Bone Thugs-N-Harmony. Em “King”, o duo faz uso de batidas pesadas, sintetizadores derretidos e ambientação carregada nos vocais. “Hands 2 Hold U Down” tem um jeito pop e uma sonoridade hipnótica, com uma linha de baixo obesa e uma batida sagaz. Algo parecido com ouvir uma coletânea dos anos 80 inalando um pano com clorofórmio ou os efeitos iniciais de um "boa noite cinderela" jogado discretamente em seu copo numa balada.

“Roses” é uma das músicas mais acessíveis do álbum, mas apesar de ser dançante, conserva o aspecto narcótico e sinistro das faixas anteriores. “Faded” traz doses cavalares  de ruídos e até mesmo um certo groove, mantendo a proposta do álbum. Mas a cereja do bolo é “We Rot”, com um vocal de baixa frequência, alternando entre sussurros e guturais. Se essa música fosse utilizada em um filme de terror, com certeza seria em uma cena ao estilo "garota esfaqueada no interior de uma casa noturna". Transitando entre um darkwave vindo das profundezas do inferno e a música pop de velocidade reduzida em algum programa tosco de edição de áudio, o White Ring apresenta em Black Earth That Made Me um disco delicioso, bem mais interessante do que o trabalho dos seus colegas hypados do Salem.

Thiago Miazzo

Ouça “We Rot” 

Nenhum comentário: