sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Minicrônicas Discográficas #10





Boas notícias

Confirmado Acoustic Masada no Rio de Janeiro, dia 16 de março no Espaço Tom Jobim (mais informações em breve)/Sónar soma mais 15 nomes esta semana (Squarepusher entre eles)/Promessa de novos álbuns de Neil Young Crazy Horse, Missy Elliot produzida por Timbaland, mixtape do OFWGKTA e uma tonelada de lançamentos nacionais/Sobre a Máquina, Dorgas, Chinese Cookie Poets, Beach Combers e outras bandas cariocas legais também tem lançamentos previstos/Estão dizendo por aí que tUnE-YarDs também se apresenta no Rio, será?/Caetano Veloso libera música (grande notícia, não?)/E por falar em Caetano, tem vídeo do Chico Buarque na rede.../Carnaval tá chegando: "Há uns que vão pra mata, pra cachoeira ou pro mar, mas eu que sou do samba, vou pro terreiro sambar...". E tenho dito.





The Raveonettes – Raven in the Grave (2011; Vice Records, Dinamarca)
Pegando carona no bonde das duplas, liderado pelo White Stripes e o The Kills, o The Raveonettes foi formado na Dinamarca no ano de 2001. Ao longo de onze anos de carreira, o som do duo passou por transformações. Sem qualquer sinal do garage-rock e do rock'n’roll dos seus primeiros discos, Raven in the Grave (quinto álbum do grupo) soa como uma pastilha shoegaze dissolvida em um copo d'água. As influências de bandas como Adorable, Slowdive e Jesus & Mary Chain são visíveis ao longo do disco. As guitarras barulhentas de "Recharge & Revolt" abrem o disco, mas é em faixas com uma atmosfera dream-pop como "Forget That you're Young" ou no goth-rock de "Ignite" que o disco atinge o seu ápice. Sou uma pessoa resistente a mudanças, mas discos como Raven in the Grave me botam um sorriso na cara e me fazem pensar que nem todas as mudanças são pra pior.


Tearist – Living: 2009 - Present (2011; Thin Wrist Recordings, EUA)
O Tearist iniciou suas atividades em 2009 e é formado por Yasmine Kittles e William Stangeland Menchaca. O primeiro full-lenght do duo, Living: 2009 - Present é uma compilação de gravações ao vivo registradas entre 2009 e 2011. Quem já viu alguma apresentação da banda (se você nunca viu, veja agora), já sabe o que pode esperar: performances intensas, um moog obeso fazendo o baixo da música, outro sintetizador berrando no saw, vocais carregados de delay, peças de metal, instrumentos ready-made e outras referências à música industrial. O som da banda se enquadra nos subgêneros drag/witch-house, mas as influências de synth-pop e demais estilos originários dos anos oitenta aparecem na música do Tearist de uma forma bem menos diluída do que nas dos demais artistas ligados à cena witch. Destaques: "Headless" e "Lo v".



Raspberry Bulbs - Nature Tries Again (2011; Hospital Productions, EUA)
Dentre todas as bandas que adotam a proposta do primitive black metal, o RB é a minha favorita. Formada pelo multi-instrumentista "He Who Crushes Teeth" (que também toca bateria no Bone Awl), conta com apenas um álbum lançado, além de um punhado de demos. "Face in the Cave" e "What is it Between us?" remetem aos primeiros discos do Venom, enquanto "Will I Ever Speak the Truth?" lembra a banda punk Urinals. Essa é a fórmula utilizada ao longo de Nature Tries Again: estrutura musical simples, distorção feiosa de guitarra, influências metal/punk, gravação de aspecto caseiro e, mesmo assim, é um disco que cativa logo na primeira audição.

Thiago Miazzo


Kyoka – iSH (2012; Raster-Noton, Alemanha [Japão])
Como parte da série Ununpentum, ligado ao selo Unun, a Raster-Noton pôs no mercado um mini-álbum (ou EP, já nem sei mais…) com cinco faixas produzidas pela artista japonesa Kyoka. Desenvolvendo vertiginosas colagens pop, a lembrar algo do drill’n’bass da década de 90, Kyoka produziu sua série batizada como ufunfunfufu, em 3 volumes lançados entre 2008 e 2010. Produzido pelo parceiro Frank Bretschneider, iSH traz uma concepção mais elegante e econômica, sem abrir mão dos timbres de ferro velho, glitches e demais traquitanas que caracterizam seu trabalho.

Ouça o Soundcloud da artista.



Rogelio Sosa – Raudales (2011; Sub Rosa, Bélgica [México])
A capa de Raudales já diz muito a respeito de seu conteúdo: uma corredeira de vísceras desaba sobre o precipício, simbolizando o substrato das experiência sonoras do mexicano Rogelio Sosa. De fato, seu trabalho se vale de um material passível de comparação com aquilo que se considera "os restos", elementos que não perseveram no discurso musical convencional e que são conhecidos por nomes pouco recomendáveis como “barulho”, “ruído”, e até mesmo por uma categoria experimental, o noise. Compreendendo trabalhos que vão de 2003 a 2009, Raudales traz desde experiências com softwares, eletroacústica, conversão de sons orgânicos em sons sintéticos, e vice versa. Tudo isso na intenção de levar ao ouvinte algumas centelhas sonoras do mal estar gerado pela capa.




Leonard Cohen – Old Ideas (2012; Columbia, EUA)
Eis um artista que não tem nenhuma necesidade de se misturar aos artistas mais jovens, como fizeram Bowie, Cash e Caetano. Com “misturar” eu quero dizer: dar à sua própria música uma roupagem que de alguma forma se relacione com a música de artistas mais recentes, como meio de atualização, mas também por concepção. Mesmo considerando que o Tindersticks nem sequer existiria se não houvesse álbuns como Songs of Love And Hate ou Death of a Ladies’ Man, dificilmente se poderá objetar o fato de que, pelo menos desta vez, o pupilo fez um trabalho mais desafiador do que o de seu preceptor. Também parece difícil negar a sensatez clarividente do título: sim, estamos diante de “velhas idéias”. Ouçam “Show me the place” e “Darkness” e saboreiem a voz cada vez mais grave e soturna, as canções simples com letras profundas e a roupagem deliciosamente antiquada. Embora as Minicrônicas sejam direcionadas a uma análise ligeira de bons álbuns recentes, não se espante o leitor se, até o fim do ano, esse disco ganhar uma resenha própria.


Bernardo Oliveira

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