sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Minicrônicas Discográficas #12


                                                                            O Assunto é CinemaO Assunto é Cinema            CinemaO Assunto é CinemaO                           é CinemaO Assunto é CinemaO Assunto é CinemaO Assunto é                             O Assunto é Cinema






DJ Rashad - Shoot me from Ashes57 on Vimeo.







Pixelord - Keramika from A Sky on Vimeo.



Machinedrum – Nastyfuckk EP (2012; LuckyMe, Reino Unido [EUA])

De alguma forma, pressinto que estamos perdendo a compostura com Travis Stewart. Mesmo as aspirações comerciais embutidas no seu EP anterior, SXLND EP, se destacaram pela extrema elegância de suas batidas, pela forma arrojada e peculiar com a qual ele cria as repetições tão comuns hoje em dia. Agora surgiu repentinamente o EP Nastyfuckk, uma espécie de retorno glorioso ao flerte com o juke, que marcou Room(s). A faixa título já valeria o trabalho, mas devo destacar também as duas releituras do EP: a faixa produzida por Badawi, “No Schnitzel”, e o remix dub feito pelo produtor russo Pixelord (Gultskra Artikler) para “What U Wanted 2 Feel”. Especializado em glitches e demais sonoridades abrasivas, Pixelord revira a forma pop da faixa, transformando-a em um dubstep de primeira hora.


Raime – Hennail (2012; Blackest Ever Black, Reino Unido)

Formado pela dupla inglesa Joe Andrews e Tom Halstead, o Raime lançou dois EPs em 2010, e este Hennail no final de 2011. Só agora, o EP recebe uma edição digital pelo novo selo, o Blackest Ever Black, o que de alguma forma comprime excessivamente os graves e texturas repletas de percussões, que caracterizam seu trabalho. Ambientadas em uma seara obscura, as duas faixas de Hennail se equilibram entre a darkwave e o dubtechno, mas apontando para uma estética árida, com ênfase nos elementos percussivos – o que faz lembrar um pouco o trabalho de Shackleton. De qualquer forma, trata-se de um EP em andamento lento, mas bastante vigoroso, que se escuta com prazer.


Shed – The Praetorian / RQ-170 (2012; Fifty Weapons, Reino Unido [Alemanha])

Com toda sinceridade, não seu como encaixar o trabalho do alemão René Pawlowitz nos rótulos disponíveis na praça. Mas, claro, sempre dá – mesmo que o próprio artista pague o prejuízo. Seu álbum de 2010, The Traveller, por exemplo: podemos atribuir-lhe um conteúdo techno? Ou vale abrigá-lo sob o imenso guarda-chuva do “experimental”? Mesmo que essa última denominação crie uma série de problemas, não vejo outra forma de classificar seu trabalho. O remix de “Little By Little” do Radiohead já apontava para ritmos e timbres idiossincráticos, mas a dobradinha “The Praetorian/RQ-170” confirma a tendência em articular uma estrutura techno convencional com sons especificamente delicados e texturas econômicas. A faixa-título, exemplar nesse sentido, traz uma batida lenta cercada pela percussão granulada, que aos poucos é tomada por um sintetizador meio escondido... Tudo condensado em uma mixagem cujos volumes parecem delicadamente controlados, resultando num trabalho admiravelmente bem construído.



Carlos Giffoni – Evidence (2012; Software Records, EUA [Venezuela])

O leitor que conhece o trabalho do venezuelano Carlos Giffoni, afeito a colaborações experimentais como Jim O’Rourke, Merzbow, entre outros, talvez tome um susto diante dos primeiros minutos de Evidence. Teria ele se convertido à progressiva mediocrização que alguns artistas estão promovendo dos timbres e particularidades da eletrônica inglesa pós-dubstep e da reabilitação dos sintetizadores? A tentação é grande, dada à absorção popular de artistas como James Blake, SBTRKT, The Weeknd e a nova sensação, Skrillex. Felizmente não é nada disso, pois Evidence traz, em sua faixa-título, uma parceria exitosa entre Giffoni e Laurel Halo, centrada basicamente sobre a utilização de sintetizadores analógicos e manipulação de tapes. Antes de confirmar uma guinada comercial, o piano cancioneiro e a voz monótona indicam o caráter idiossincrático da empreitada, na medida em que será inevitavelmente misturada às texturas expressivas dos sintetizadores. Uma experiência muito particular dentro da obra de Giffoni, que merece a atenção daqueles que admiram seu trabalho.


Georgia Anne Muldrow & Madlib – Seeds (2012; SomeOthaShip Connect, EUA)

Georgia Anne Muldrow é uma das artistas americanas mais impressionantes surgidas na última década. Ela não tem as múltiplas habilidades de Janelle Monáe, nem a graça cativante de Azealia Banks, nem o poder de fogo de Beyoncé e M.I.A. Ela é oriunda do contexto Stones Throw, o que implica em uma sonoridade mais experimental. Seu primeiro álbum, Olesi (Fragments of an Earth), contém uma série de experiências harmônicas e melódicas que misturam vigorosamente a sofisticação melódica do jazz e do soul com o balanço do funk e do hip hop, produzindo algumas peças geniais, como “Nowadayz”, “Wrong Way” e “Blackman”. Neste 7”, Muldrow se reúne com seu mestre Madlib para criar uma das faixas mais saborosas do ano. “Seeds” conta com uma profusão de samplers, com destaque para a melodia de piano em escala descendente e sua voz, que continua lindíssima.

Ouça “Seeds”.

Bernardo Oliveira

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Mater Suspiria Vision - Il Labirinto del Sesso EP  (2012; Phantasma Disques, Reino Unido)
Dias antes do lançamento oficial do aguardado Inverted Triangle III, o Mater Suspiria Vision botou pra jogo dois EPs digitais, contendo faixas que estarão inclusas no álbum. Il Labirinto Del Sesso EP, lançado em 26 de janeiro, traz cinco faixas, sendo três delas remixes da faixa-título. Synths e drum machines estão presentes em Il Labirinto Del Sesso, mas a música eletrônica não é o ponto principal do MSV: o cinema, em especial o gênero Giallo, é a principal influência do coletivo. Essa paixão pelo art-cinema dos anos 70 fica ainda mais nítida quando fazemos uma pesquisa mais aprofundada e nos deparamos com uma série de video-álbuns produzidos pelos próprios integrantes. Assista ao vídeo oficial de Il Labirinto Del Sesso, um petisco enquanto o Inverted Triangle III não dá as caras. 

Earth: Angels of Darkness, Demons of Light II  (2012; Southern Lord, EUA)
Gravado na mesma sessão do Angels of Darkness I, a segunda parte da obra registra o Earth mais voltado para o improviso, sem tantos cuidados com a elaboração de arranjos e ideias pré-concebidas, como foi com o primeiro volume. Não espere encontrar um riffzão como o de "Descent to the Zenith" – nas palavras do próprio Dylan Carlson, Angels of Darkness II consiste unicamente em "tocar e gravar". Tal liberdade criativa resultou na viajada "A Multiplicity of Doors" (uma música de 18 minutos com cara de jam-session) e no ritmo quase funk da "The Rakehell".


Rainforest Spiritual Enslavement – Fallen Leaves Camouflaged Behind Tropical Flowers  (2011; Hospital Productions, EUA)
Camadas sujas de sintetizador derretem em um ambiente hipnótico em uma gravação de jeitão lo-fi. Eu não faço a menor ideia de quem é a pessoa por trás do RSE, mais um projeto anônimo do catálogo da Hospital Records. O que eu sei é que, em 2011, lançou duas tapes, entre elas a Fallen Leaves Camouflaged Behind Tropical Flowers. As duas músicas da fitinha alternam entre momentos de tensão gerados por sintetizadores persistentes e passagens psicodélicas com beats fantasmas, mistura que deu ao RSE o rótulo de death ambient. Lançamento limitado a 59 cópias.
Ouça um trecho de "Skull Covered in Moss".

Thiago Miazzo

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