segunda-feira, 19 de março de 2012

(crítica - disco) Prurient – Oxidation (2012; Hospital Productions, EUA)


























Acompanhar a discografia de Dominick Fernow é uma tarefa que exige um bocado de dedicação. Só no ano de 2012 já são três lançamentos sob a alcunha Prurient, sendo o último o cassette duplo Oxidation. O novo material é composto por quatro faixas (ou "four slaves"), cada uma atingindo aproximadamente meia hora de duração. Pra quem esperava algo mais próximo do elogiado Bermuda Drain, o novo álbum tem tudo pra ser uma grande decepção. O sintetizador, uma constante da fase Bermuda…, não é mais o instrumento principal. Em Oxidation, predominam muralhas de ruído e gravação lo-fi.

"Ecstasy Slave", faixa que abre o primeiro cassette, traz feedbacks manipulados com precisão cirúrgica. Em outros momentos, a voz soa mais seca (lembrando em alguns momentos o side-project Force Publique Congo) e os ruídos mais próximos da música ambiente. A teia de ruídos construída por Fernow ganha o acréscimo de percussões ásperas e linhas de synth inusitadas na segunda faixa, "Ketamine Slave", encerrando de forma truculenta o cassette 1.

O segundo cassette (mais fácil de ouvir do que o anterior) se aproxima um pouco mais da melodia dos seus últimos trabalhos. "Vicodin Slave" mantém uma pulsação próxima do power electronics, ficando mais encorpada conforme a  música cresce, enquanto "Ccne Slave", explora melodias de synth e peças de metal de uma forma bem mais harmônica, criando um ambiente mais leve do que as faixas anteriores.

Mesmo assim, Oxidation não é um disco que visa o público de Bermuda Drain ou os admiradores do ritmo e melodia do Vatican Shadow, mostrando maior disposição para o livre improviso do que preocupação em criar melodias ou estruturas musicais próximas do convencional.

Thiago Miazzo

Ouça alguns trechos de Oxidation

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