terça-feira, 10 de abril de 2012

(crítica - disco) My Bloody Valentine – Loveless (1991 [2012]; Sony, Irlanda)


























O My Bloody Valentine anunciou que vai relançar o seu catálogo em edições remasterizadas. São três lançamentos: Isn't Anything (1988), Loveless (1991) e a compilação 1988-1991, contendo os quatro EPs lançados pela Creation Records, faixas instrumentais, b-sides e três músicas inéditas. Loveless ganhará uma edição dupla, contando com uma versão inédita, originada das fitas analógicas originais.

O grupo irlandês foi profundamente influenciado pelo pós-punk e bandas como Cramps e Jesus & Mary Chain, moldando sua sonoridade ao longo dos anos, resultando em um estilo completamente novo, marcado pelas guitarras potentes e carregadas de efeitos. Esse novo estilo de tocar guitarra, descaradamente copiado ao longo das décadas de 90 e 2000, serviram de influência para o primeiro disco do Smashing Pumpkins, além da cena alternativa brasileira representada por bandas como Pin-ups, Low Dream, Second Come e Sonic Disruptor.



Falar em Loveless é falar em obsessão – Kevin Shields investiu muito tempo e dinheiro regravando linhas de guitarra, procurando a gravação perfeita em um processo que se estendeu por dois anos. Em alguns momentos, a parede de distorção encobre os demais instrumentos. Explorando efeitos, a banda conseguiu construir um instrumental nublado, acompanhado por vocais preguiçosos e inaudíveis. Essa mistura entre intensidade e narcose é sentida logo de cara em "Only Shallow", alternando entre versos sonolentos e refrão pesado.

Em músicas como "When You Sleep" e "Sometimes", a veia pop da banda encontra espaço nas frestas do som, espremida por pedais fuzz, reverb e delay. A atmosfera ganha um ar mais denso nas faixas "To Here Knows When" e "Blown a Wish", repletas de experimentalismo e truques de estúdio, ajudando a moldar o estilo que futuramente seria conhecido como dream pop. A última faixa do disco, a hipnótica "Soon”, possui sonoridade dançante e foi responsável por redefinir o rumo da música pop. Seria injusto atribuir o sucesso a uma única faixa, pois a magia exercida por esse disquinho cor-de-rosa não se limita a hits, mas ao impacto provocado na música de sua geração, chegando à reedição de 2012 em um formato atual, influente e carregado de frescor.

Thiago Miazzo

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