sexta-feira, 27 de abril de 2012

Minicrônicas Discográficas #18




Minics Discs #18, ligadas em BNegão & Seletores de Frequência, Curumin, Phil Cohran And The Artistic Heritage Ensemble, Wolfgang Voigt, Ebo Taylor, Tony Allen, Programação impecável do Viradão Paulista, SónarSP tá chegando!, Gesellschaft zur Emanzipation des Samples, Nate Young, Le Super Borgou De Parakou, Animal Collective, Acid Mothers Temple & The Melting Paraiso U.F.O. (resenha!), Akos Rozmann, Actress, Eleh, Traxman, Hype Williams, Fenn O'Berg (resenha!), Alkibar Gignor, Karantamba, Masaki Batoh, Ben Vida, OQuadro, Carter Tutti Void, Chicago Trio e a rapaziada abaixo:





JK Flesh – Posthuman (2012; 3by3, Reino Unido)
Justin Broadrick sempre foi ligado ao que rola de mais novo no cenário alternativo e nunca teve medo de misturar as novidades às suas velhas influências. Uma de suas bandas principais, o Godflesh, foi um dos pioneiros na mistura de metal e industrial. Seu mais recente projeto, JK Flesh, traz influências de antigos projetos como Techno Animal, o já citado Godflesh e o Greymachine, aliados ao ritmo do dubstep. Posthuman, seu primeiro trabalho, tem data de lançamento marcada para segunda-feira (30) pelo selo especializado em post-dubstep 3by3.



Free Weed & White Rainbow – Bluster (2012; Gnar Tapes, EUA)
O Free Weed vem de Portland e é um dos inúmeros side-projects de Erik Gage, que também toca no White Fang, the Memories, Ricky Pineapple, Feather Headress e cuida da label Gnar Tapes. Já o White Rainbow é a alcunha de Adam Forkner, que já trabalhou com nomes como Devendra Banhart, Yellow Swans, Atlas Sounds, entre outros. Juntos, lançaram o single Bluster, música que mistura ambient, beats minimais e vocais chapados, mistura que ganhou o apelido carinhoso de "bong pop" e define bem a vibe dos caras.



Inner Tube - Inner Tube (2012; Pacific City Sound Visions, EUA)
Colaboração entre Spencer Clark (Skaters) e Mark Mcguire (Emeralds) em um tributo à cultura surf australiana. Um registro inusitado na discografia de ambos os artistas, cheio de linhas ensolaradas de guitarra e distorção feiosa. Uma espécie de trilha sonora alternativa feita sob encomenda para o game "Jogos de Verão" ou para os filmes mais escabrosos do tipo "quatro garotões curtem os últimos dias das férias de verão e aprontam altas confusões" da Sessão da Tarde.



Thiago Miazzo



Rob – Make It Fast, Make It Slow (2012 [1977], Soundway, Gana [Reino Unido])
Pra começo de conversa: o ganense Rob não tem absolutamente NADA a ver com o afrobeat, gênero nigeriano inventado por Fela Kuti e Tony Allen. Rob apareceu primeiro na belíssima coletânea da mesma Soundway, Ghana Soundz, com “Make It Fast, Make It Slow”, um afrofunk assanhado, carregado na batucada e nos metai. A faixa batizou seu segundo disco, lançado em 77 pelo selo ganense Essiebons, responsável por álbuns de Dr. K. Gyasi And His Noble Kings, 3rd Generation Band e Ebo Taylor. Após lançar o primeiro, originariamente intitulado Rob e rebatizado como Funky Rob Way, a Soundway relança Make It Fast, Make It Slow, com uma remasterização que, confesso, me soou meio abafada. Mas nada que ofusque o balanço infalível de “He Shall Live In You” e “But You”. Destaque para Mag-2, fanfarra militar comandada por Amponsah Rockson, responsável pela metaleira arretada que passeia por todo o disco.

Ouça um trecho de “He Shall Live In You”

Eli Keszler/Keith Fullerton Whitman – Split (2012; NNA Tapes, EUA)
E eis que Eli Keszler retorna ao Matéria –pela terceira vez! A primeira, com Steve Pyne, com quem divide o Red Horse. Depois, um álbum/ instalação doidivanas chamado “Cold Pin”. E, agora, esse split “conceitual” com o Keith Fullerton Whitman – cuja homenagem à Eliane Radigue (“Issue Generator”), junto a “Madrid”, do Eleh, está entre as mais belas faixas lançadas na seara do drone este ano. Pode-se afirmar que com pontilismo de “Occlusion”, Whitman se deixou contaminar pelo aspecto maquinário e frenético da percussão de Keszler, cujos elementos batizam as faixas: “Drums, Crotales, Installed Motors, Micro-Controller Metal Plates” ou “Bowed Crotales, Snare Drum”. Mosaicos sonoros compostos por timbres indigestos, criando momentos de grande tensão, mas sempre vigorosos.

Ps.: Periga Keszler retornar ao Matéria com Ithaca, colaboração com o legendário Joe McPhee. A ver.

The Internet – Purple Naked Ladies (2011[2012]; Odd Future Records, EUA)
Na quarta, resenhamos o primeiro álbum das THEESatisfaction, uma dupla viçosa, hiperestilosa, que aposta na infusão soul/jazzy. Desta feita, lançaremos mais algumas fichas na dupla The Internet, o braço cool do Odd Future. Composto pela cantora e produtora Syd Tha Kid, DJ e engenheira de som do coletivo de Los Angeles, juntamente com Matt Martians, também membro e produtor, The Internet se caracteriza pela combinação de R&B, soul e jazz, mas com pitadas discretas de trip hop e dubstep – particularmente no que diz respeito aos timbres, não ao estilo ou aos ritmos. Triscando a seara do Sa-Ra Creative Partners, a dupla atinge momentos singulares com “Ode to a Dream” (com Kilo Kish & Coco O.), “She Dgaf”, “C*nt” e “Gurl” (com Pyramid Vritra), introduzindo, de forma discreta e sutil,  aquela quebrada rítmica característica do Odd Future. Mas, no geral, a coisa se resume ao tentáculo R&B dos caras. Aliás, eis um produção oriunda desse coletivo que não se presta a servir de trilha sonora para o massacre e a discórdia. 

Ps.: Será que, assim como ocorreu com o jamaicano Sizzla, o OFWGKTA também será barrado na Europa, em virtude de seu linguajar que não respeita as diferenças?


Bernardo Oliveira

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