terça-feira, 29 de maio de 2012

(crítica – disco) Marconi Notaro – No Sub-Reino dos Metazoários (1973 [2012]; Mr Bongo, Brasil [Reino Unido])


























Marconi Notaro foi um músico e poeta recifense envolvido com o movimento Udigrudi (do qual faziam parte os já citados Flaviola, Lula Côrtes e Zé Ramalho). Por mais de três décadas, os discos ligados a esse curioso coletivo permaneceram no mais absoluto anonimato, com suas cópias originais nas mãos de colecionadores, pesquisadores da música brasileira e alguns gatos pingados que não faziam a menor ideia da preciosidade que tinham em mãos. Morto em 2000, o artista não teve tempo para desfrutar do reconhecimento tardio de sua obra. Cerca de seis anos depois de sua morte, o selo norte-americano Time-Lag (voltado para o psych-folk e contando com um cast formado por artistas como Brothers of Occult Sisterhood), assinou a primeira reedição de No Sub-Reino dos Metazoários. Em 2011, foi a vez do selo Mr Bong (selo inglês que relançou grande parte do catálogo Udigrudi e outros representantes da música brasileira). 

Em pouco mais de meia hora, Marconi Notaro passeia por ritmos regionais, folk, rock'n roll e psicodelia. A bolacha abre com o simpático sambinha "Desmantelado", celebrando a sinuca e a boêmia em uma atmosfera festeira, malandra, bem diferente das demais faixas do álbum. Em "Ah Vida Ávida", Notaro é acompanhado por Lula Côrtes na cítara e Zé Ramalho na viola, introduzindo a poesia concreta à flauta e à sonoridade do psych-folk. "Fidelidade" é meio frevo, meio rock'n roll com um baixo presente e passagens funkeadas de guitarra e "Made in PB" é fruto de (mais uma) parceria entre Notaro e Zé Ramalho, a faixa mais rock'n roll do disco, com destaque para a guitarra barulhenta e cheia de ecos de um inspirado Robertinho do Recife.

As Antropológicas ("Antropológica I” e "Antropológica II”) são mais experimentais, linhas grooveadas com jeitão de dub atropeladas por arranjos rasgadões de viola. E por falar em viola, é ela que guia a faixa seguinte, "Sinfonia em Ré", com cara de sessão de improviso e forte influência psicodélica, fórmula muito parecida com a aplicada no poema "Não Tenho Imaginação Pra Mudar de Mulher". O disco fecha com "Ode a Satwa", um psych-folk de palhetada firme e acordes secos, aos moldes da escola udigrudi.

Thiago Miazzo

2 comentários:

dfenelon disse...

Simplesmente maravilhoso.

Alejandra Arce.

dfenelon disse...

Simplesmente maravilhoso.