terça-feira, 15 de maio de 2012

(crítica - EP) Marie Dior – 7 (2011; Aural Sects; Portugal)



























Marie Dior é a alcunha de Diogo Correia, um jovem músico português que também integra as bandas CFT&CM e Skater Police. Ao longo de 2011, Marie Dior lançou uma sequência de álbuns digitais e remixes em plataformas como o bandcamp e net-labels.

Mesmo se tratando de um projeto relativamente novo, o Marie Dior passou por diversas transformações. Mesclando ao longo de sua carreira influências pouco harmônicas, como o dream pop e o digital hardcore, Diogo Correia direcionando o seu som para um mix entre witch-house, post-dubstep e techno em seus últimos trabalhos, 7 e Sore (ambos pelo netlabel Aural Sects). O vocal, uma constante em obras anteriores (como o ep Expensive Hosiery) desaparece quase por completo. Limitando ao máximo o seu uso, o recurso acabou por valorizar-se, dando maior destaque às músicas.

7 foi lançado em Outubro de 2011 e teve a participação direta de Diogo em todas as etapas do processo, da arte de capa até a gravação e masterização. A primeira faixa, "Tropic of Dissent" traz synths comprimidos e beat minimal, acompanhado por uma linha vocal que estrutura a música de uma maneira mais convencional, algo próximo do verse-chorus-verse. O sintetizador de "Glass Room" tem uma melodia bem familiar. Trata-se de uma linha de synth com um bom caimento, mas ao mesmo tempo, comum. Acho que todo mundo que ouvir vai acabar a associando a alguma música, ou pior, vivendo o drama do "me lembra uma música que eu não consigo lembrar qual é".

"From The Rave To The Scars" tem a melodia mais caótica do disco e vocais intensos, mas abafados pela mixagem. É curtinha, pouco mais de um minuto, mas na medida certa — os timbres ardidos de teclado tornariam difícil a sua audição caso fosse muito extensa. A última faixa do EP, "Nascar Classics (Deathcar)" flerta com o old school techno e o happy hardcore. O EP começa de um jeito e termina de outro completamente diferente, mas conserva nos synths uma aura gelada, mostrando que mesmo sem seguir uma linha pré-determinada, o trabalho de Diogo Correia é dotado de identidade. Ouça o 7, ouça o Sore e fique atento aos próximos.

Thiago Miazzo


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