terça-feira, 10 de julho de 2012

(crítica - disco) The Cigarettes - The Cigarettes (2012; Midsummer Madness/Locomotiva)



Quem acompanhou o "boom" do rock alternativo em terras brasileiras na primeira metade da década de 90, teve o privilégio de assistir a uma série de eventos que eu daria um braço para poder ter acompanhado. O lançamento do Nevermind, por exemplo: você se lembra do dia em que o videoclipe de "Smells Like Teen Spirit" foi exibido pela primeira vez na MTV Brasil? Eu, não. Na época, tinha pouco mais de seis anos de idade e estava muito ocupado aprendendo a escrever o meu nome em letra cursiva e a amarrar o cadarço do meu tênis. Tampouco me lembro dos escassos programas de rádio que traziam para os mais antenados bandas como Jesus & Mary Chain, Teenage Fanclub ou My Bloody Valentine. Em 1992, a banda Pin-ups se apresenta junto do Second Home no Garage (uma conhecida casa do Rio de Janeiro) e em 1993, o selo Rock it! lança o vinil "You", do já citado Second Home. Em 1994, o Brasil ganha uma Copa do Mundo, o Second Home encerra as atividades e o Cigarettes (do carioca Marcelo Colares) lança os seus primeiros registros em formato k7.

De volta ao presente, o novo disco do Cigarettes parece ter como público-alvo três gerações diferentes: o pessoal das antigas que acompanhou o auge das guitar-bands brasileiras, os pré-adolescentes da época que não acompanharam ou não tinham acesso ao que estava acontecendo no cenário alternativo e, por último, uma terceira geração formada por garotos e garotas que nasceram por volta de 1997, ano em que o debut Bingo foi lançado. Trocando em miúdos, esse novo disco do Cigarettes diz, ao mesmo tempo, "estou de volta", "dessa vez você não tem desculpa pra não me assistir ao vivo" e "muito prazer". As onze faixas que compõem o disco apresentam composições bem mais polidas do que as encontradas nos registros anteriores; trata-se de um álbum sólido, sem tantas melodias soltas ou desencontradas. A sonoridade de "Connected Overused" cativa, assim como a ponte quietinha de "Love Concept Alpha", que prepara o ouvinte para faixas mais inclinadas ao pop, como "We Are Alone" e "Older" – mas, é claro, sem abrir mão da atmosfera oriunda das guitarras, uma constante no trabalho da banda. Bem vindo de volta, Marcelo. Muito prazer, dessa vez não tenho desculpas para não te assistir ao vivo.

Thiago Miazzo
 

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