terça-feira, 14 de agosto de 2012

(crítica - disco) Test - Árabe Macabre (2012; s/g, Brasil)

























João Kombi e Thiago Barata são figuras conhecidas no rolê hardcore/punk paulistano. O primeiro integrou a Are You God? e realizou alguns trabalhos sob o pseudônimo Dj Oaum, voltado para o experimentalismo e a spoken word. O último comanda as baquetas da banda de grindcore D.E.R., uma das mais velozes e precisas do cenário, além de integrar o trio de punk rock nerd Tri Lambda. A bordo de uma Kombi munida de um gerador de energia, a dupla leva sua música a portas de shows - como o caso da apresentação na porta do show do D.R.I., que rendeu à banda o seu primeiro videoclipe - até uma audaciosa apresentação na Virada Cultural, do lado de fora do MIS. Na ativa desde 2010, o Test conta com duas demos (Jesus Doom e M’Boi Mirim), dois DVDs pirata oficiais e um sete polegadas (Carne Humana).

O compromisso da banda com o DIY não se limita às apresentações ao vivo. Seu mais recente trabalho - o debut entitulado Árabe Macabre - é fruto de um crowdfunding que visava alcançar a singela marca de cinquenta reais, destinado a recuperar o dinheiro investido na gravação, mostrando que é possível gravar um disco de qualidade gastando pouco. Explorando as limitações de uma formação calcada na guitarra e bateria, o duo cria músicas divididas em diversas estruturas, passando por referências que vão do black metal mais primitivo ao thrash/death metal e consequentemente o grindcore que direciona a carreira de ambos. E o melhor: sem deixar a sensação de "tá faltando grave". As patadas precisas do Barata, aliadas à guitarra de timbragem meio stoner do João, não deixam sobrar espaços vazios. O resultado é um disco coeso, pesado do começo ao fim e nada maçante.

É notável o entrosamento dos integrantes, e é justamente essa afinidade que faz do Test uma das mais gratas surpresas do cenário nacional. O estilo do Barata (alternando entre blast beats e momentos mais técnicos sem se prender por muito tempo a uma única ideia) se encaixa perfeitamente ao jeito de tocar do João, resultando em momentos violentos inspirados nos clássicos Repulsion, Assück e Terrorizer, passagens com um quê de Venom e Motörhead, além de uma noção de tempo e cadência pouco comuns ao estilo. Um dos grandes discos de música pesada brasileira do ano, Árabe Macabre tem de sobra toda a criatividade que muitas vezes falta em alguns discos de grindcore. Ouça a faixa título e acesse o Tumblr da banda, onde se encontra toda a discografia disponível para download.


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