sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Melhores de 2012: Sávio de Queiroz

Primeiro, peço desculpas pelo pequeno atraso - fui capturado por um virose "escrota".

Para alguém com memória fraca como eu, fazer listas é um dever complicado. Complicado até por ser sempre injusto - sempre esquecemos algo de muito importante por não achar que caiba ou por puro esquecimento. Muita coisa boa ficou de fora (KTL, Shackleton, Four Tet) - seja por tentar ser muito criterioso, seja por simplesmente não ter tido a chance de ouvir - já que o número de lançamentos tem crescido em uma velocidade assustadora.

Sem me ater muito a esses detalhes, passo logo às listas - de shows e de discos. Não farei uma de canções isoladas por julgar esta uma tarefa impossível - a maioria das canções que costumo escutar fora do contexto dos discos não são recentes. Nenhuma das listas será ordenada por preferência ou qualquer outro critério consciente. Em negrito, os 11 discos essenciais na minha opinião.


  • Melhores Shows de 2012: 

Kevin Drumm na Audio Rebel


Andras Schiff (Theatro Municipal RJ)
Concert Koln com Matthias Goerne (Theatro Municipal RJ)
Portishead (Hipodromo Cappanelle - Roma)
John Zorn's Masada (Espaço Tom Jobim)
Kevin Drumm (Audio Rebel)
Lichens (Audio Rebel)
Eddie Prévost e John Butcher (CCSP - SP)
Peter Brottzmann, Steve Noble, John Edwards (SESC Belenzinho)
Glenn Branca (SESC Belenzinho)
Ryuichi Sakamoto + Alva Noto (Sónar SP)
KTL (Sónar SP)
Kraftwerk (Sónar SP)
Thurston Moore (Circo Voador)
Dirty Projectors (Circo Voador)
Pole (Oi Futuro Ipanema)

shows, infelizmente, perdidos: Meta Metá (Oi Futuro Ipanema), Bang on a Can (Inhotim), ICP (CCSP) e Oval (Trackers - SP)


  • Melhores Discos de 2012:

Arquivo Novo/ Relançamentos:

Willian Basinski - The Disintegration Loops (Vinyl Boxset)
Jim O' Rourke - Old News #8
Can - The Lost Tapes
Steve Lacy - The Sun
Eliane Radigue - Feedback Works
Laurie Spiegel - The Expanding Universe
Daphne Oram - The Oram Tapes: Volume One
Charles Mingus - The Jazz Workshop Concerts 1964-65
Porter Ricks - Biokinetics
Monoton - Monotonprodukt
John Cage - Shock
Royal Band de Thiès - Kadior Demb


Jim O' Rourke

Lançamentos:

Grizzly Bear - Shields (+ Saint Nothing e Golden Mile de Daniel Rossen)
Neneh Cherry and The Thing - Cherry Thing (+ remix Sudden Moment feito por Merzbow)
Fiona Apple - The Idler Wheel...
Dirty Projectors - Swing Lo Magellan
Scott Walker - Bisch Bosch
Meta Metá - METAL METAL
Burial - Kindred EP


Fiona Apple

Moritz Von Oswald Trio - Fetch
Keith Fullerton Whitman - Generators
Godspeed You! Black Emperor - Alellujah! Dont Bend! Ascend!
Pole - Waldgeschichten 2/3 (+ Roll The Dice meets Pole)
Kevin Drumm - Relief + The Whole House
Andy Stott - Luxury Problems
Helm - Impossible Symmetry
Fenn' O Berg - In Hell
Vladislav Delay - Kuopio
Jan Jelinek - PrimeTime


Kim Kashkashian

Fausto Romitelli – Anamorphosis
Kim Kashkashian – Kurtág/Ligeti: Music for Viola
Andras Schiff - Das Wohltemperierte Clavier (gravação da ECM)
Morton Feldman - Crippled Symmetry: At June in Buffalo
Alexei Lubimov, Natalia Pschenitschnikova – John Cage: As It Is
John Zorn - Music and It's Double


Considerações Finais:

1. Pela lista, reparo que foi um ano bastante fraco tanto para o jazz como para o rock. Na lista apenas 3 lançamentos guardam uma ligação mais direta com um desses gêneros: Grizzly Bear, GY!BE e Moritz Von Oswald.

2. Apesar da pequena representação, creio que a cena local tem evoluído bastante, com diversos shows e lançamentos bem interessantes. Se esses não aparecem na lista, é porque estou colocando todos em pé de igualdade. Destacaria sobretudo dois discos: os últimos do Chelpa Ferro e Sobre a Máquina.

3. É desnecessário dizer que um disco como Bisch Bosch é mais importante que o último lançamento da Fiona Apple. Mas com a lista, estou sendo honesto em relação a certos discos que acabei por ouvir bastante em pelo menos algum período do ano. Ao mesmo tempo, como um resumo para ser levado além do ano, existe também a tentativa de olhar um pouco adiante, de tentar saber aquilo que indicará os caminhos.

4. Compilando essa lista, me pareceu bem claro um certo "esgotamento" da música drone. É possível argumentar que justamente agora ela se torna realmente popular, com aparições constantes em quase todos os filmes alternativos e circulação por maiores espaços. Mas não há muito mais o que oferecer - pelo menos vindo dos artistas que pensam sua música obedecendo demais as bases do gênero. Os bons títulos lançados nesse ano que poderiam se encaixar no rótulo apresentam elementos que os distanciam bastante deste . Um exemplo seria o lançamento do KTL, com seus arranjos de cordas - algo que O'Malley ja vinha utilizando há algum tempo com o Sunn 0))) - e suas harmonias que chegam a inspirar algo épico, épico em um sentido menos obscuro, utilizando harmonias mais abertas do que o esperado.

Se o drone apresentava antes um certo risco, agora parece apenas o jeito mais seguro de se fazer música  de "vanguarda".


Sávio de Queiroz

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