quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Oneohtrix Point Never - R Plus Seven (2013; Warp Records, EUA)



- Você não se acha obcecado? – A resposta é sim. Sempre fui.  Minha maneira de ouvir e catalogar música assusta e afasta as pessoas. Prefiro acreditar que mantém por perto apenas quem tem estrutura pra ficar. E quando algo foge do controle em minha vida pessoal, a minha relação com a música é afetada de imediato. De ouvinte assíduo eu passo a apático, com pouca ou nenhuma paciência pra me deixar envolver.  Passo o meu tempo em sites de mindfuck, jogando videogame e caçando shortwaves.  Enfim, ouvindo música que não tem cara de música. Um conceito meio vago, mas aplicável ao R Plus Seven. Repleto de barulhinhos curiosos e pouco assimiláveis ao ouvinte-médio, o álbum dá continuidade ao conceito proposto por James Ferraro no aclamado Far Side Virtual e levado ao limite pela geração vaporwave. Afinal, quando começa o futuro?  Uma das características mais marcantes da contemporaneidade se refere à percepção do tempo. O desenvolvimento técnico-científico desencadeado no século XIX levou o homem a relacionar-se com o tempo de uma forma completamente nova: era como se o tempo tivesse se entupido de anfetaminas e não houvesse um meio de pará-lo. Passam-se as décadas e as inovações se acumulam diante dos olhos do homem que é capaz de ver o tempo em movimento, mas é incapaz de acompanhá-lo. Dessa busca por catalogar o impossível, o tempo que de tão veloz tornou-se mais uma vez imperceptível é que surgiu grande parte dos movimentos retrofuturistas modernos, e é nesse cenário que o trabalho de Daniel Lopatin pode ser enquadrado.























Imprevisível e altamente visual, R Plus Seven conserva a atmosfera densa dos primeiros trabalhos do Oneohtrix Point Never, agrega a influência dos amigos Ferraro e Tim Hecker e flerta com o hipermodernismo da geração pós-internet, movimento que Lopatin ajudou a consolidar através do clássico outsider Eccojams Vol.01, sob o pseudônimo Chuck Person.  Hoje, essa geração influenciada por suas Eccojams parecem influenciar seu R Plus Seven. Trata-se de um álbum que se espalha de forma sutil pelo ambiente, preenchendo cuidadosamente cada canto da sala, misturando-se aos ruídos que emanam de toda a tecnologia que nos cerca. R Plus Seven tem como carro chefe o single “Still Life”. Para alguns, Daniel Lopatin e o camarada Jon Rafman (artista e idealizador do video) zeraram a internet, mostrando um universo de games obscuros, fetichismo e cultura glitch. Já os fissurados em tecnologia e ratos de tumblr se ligaram que “Still Life” é uma espécie de painel de referências, uma pista das URLs  que o duo favoritou ao longo do processo de criação. No fim das contas, pouco importa. O fato é que “Still Life” é um dos vídeos mais legais que pipocaram pela internet nos últimos tempos, além de ter conseguido a façanha de ser removido do Vimeo em seu primeiro dia de exibição (o que por si só já vale a pena assistir). 

Thiago Miazzo



Still Life (Betamale), Jon Rafman + Oneohtrix Point Never, 2013 from jonrafman on Vimeo.

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