quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Retrospectiva 2013: 10+vários (Thiago Miazzo)























São dez e vários. Alguns nasceram em 2013, outros me acompanharam bem de perto ao longo desse ano. Uns chegaram na minha vida só agora, outros eu já conhecia e me arrependi amargamente por não ter listado em nenhum outro top álbuns que eu já tenha feito. Enfim, divirtam-se com a leitura como eu me diverti fazendo essa listinha. Queria ceder ao impulso e praguejar contra esse ano, mas não o farei. Trilhando um caminho não tão suave, aprendi a amar mais, cresci como músico e, conforme a lista a seguir comprova, ouvi ótimos discos. Senhor 2013, tudo o que você precisa é ser amado. Mas não sou eu quem vai te dar amor. Apenas o perdôo.

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Os 10 de 2013:


Alberich – Turned Back (Hospital Productions, EUA)




Explorando beats lineares e sobrepostos, Lapke flerta com a ambiência do dub techno com a mesma naturalidade que busca referências vocais nos primeiros trabalhos do Killing Joke. (...) Distorcido na medida certa, perturbadoramente alto, claustrofóbico, rítmico sem fugir do universo do artista, barulhento sem fazer do registro um álbum com cara de poucos amigos. Um disco feito pra dançar — na festa mais down e miada do mundo.



Oneohtrix Point Never – R Plus Seven (Warp Records, Reino Unido/EUA)


























“Imprevisível e altamente visual, R Plus Seven conserva a atmosfera densa dos primeiros trabalhos do Oneohtrix Point Never, agrega a influência dos amigos Ferraro e Tim Hecker e flerta com o hipermodernismo da geração pós-internet (...)  Trata-se de um álbum que se espalha de forma sutil pelo ambiente, preenchendo cuidadosamente cada canto da sala, misturando-se aos ruídos que emanam de toda a tecnologia que nos cerca.


Vermes do Limbo – Adeus Igapó (s/g, Brasil)


“A ausência (ou a perda de uma parcela considerável) de som ambiente fez com que eu passasse a encarar com receio qualquer tipo de registro da banda. Ok,  poderiam gravar quantos bootlegs quisessem, mas nada dentro de um estúdio. Acabei encontrando com o Adeus Igapó, e aí já não tinha como voltar atrás. (..) Tem muito de erudição, mas também tem muita seqüela de quem passou a adolescência cheirando cola, bebendo dreher e ouvindo F.Y.P. - e essa que é uma das grandes sacadas.”


Jacob Kirkegaard – Conversion (Touch, Reino Unido)


O que eu mais admiro no artista Kirkegaard é o pleno domínio dos recursos que ele se dispõe a usar. De instrumentos acústicos a reverberação natural, nada soa como deveria. Desafiador.


Coastal Café – Yvette (Zeon Light, Suécia)


























Duo formado por Marilyn Petridean e Martin Lija. Yvette compila o material gravado pela dupla entre 1996 e 2000, vinte e quatro faixas curtas de um noise-pop docinho e lo-fi. Apesar de a gravação mais recente beirar os 14 anos, o som do Coastal Café permanece atual, encontrando em artistas como Free Weed e Boy Snacks a continuação de seu legado.


Rainforest Spiritual Enslavement – Folklore Venom (Hospital Productions, EUA)



Por muito tempo um projeto anônimo da Hospital Productions que mais tarde se mostrou mais uma alcunha de Dominick Fernow.  Death Industrial e Techno conduzem o ouvinte a um ambiente de ocultismo, superstições e aquela temática vodu charmosa consolidada pelo Cut Hands.


DEDO – Aldeia Global (s/g, Brasil)

























Capitalismo global, a gente se liga em você. Meu favorito de toda a discografia do Dedo, Aldeia Global soa como o Mortuário e Vektroid fechados em um quarto, sampleando o que existiu de mais bagaceira na televisão brasileira dos anos 90. Vaporwave à brasileira com um toque de Throbbing Gristle.


Cream Juice – Man Feelings (Orange Milk Records, EUA)


Rítmico e imprevisível, Man Feelings faz uso de fontes  provenientes das gravações de campo, misturadas aos ruídos eletrônicos, sintetizadores e vocalizações precisas. Não se parece com nada, e isso assusta a maioria das pessoas. Infelizmente, um grande álbum fadado a ser apenas mais um link na Noise-Arch.


Trabajo & Madrugapha - Split Tape (Tomentosa Records, EUA)


















Música para fechar os olhos e não pensar em absolutamente nada. A trilha sonora para quem procura empurrar os problemas com a barriga. Em meio a tantos discos de difícil digestão que surgiram neste ano (Tannenbaum, Marriage of Metals e Preto Sobre Preto, para citar alguns) uma audição preguiçosa e descompromissada não faz mal a ninguém. 


Prismcorp Virtual Enterprises - Home™ (Beer on the Hug, EUA)


Em meio a tanto vaporwave de gosto duvidoso surge o Prismcorp Virtual Enterprises, lançando dois cassettes – quase que simultaneamente -  pela Beer on the Rug. Ostenta o selo de qualidade New Dreams LTD, coletivo que apresentou ao mundo o Macintosh Plus, Laserdisc Visions, entre outras pepitas.

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Quer mais 2013?

Daniel Menche "Marriage of Metals", Kevin Drumm "Tannenbaum", Chris Watson  "In St Cuthbert's Time",  Inga Copeland "Don't Look Back, That's Not Where You're Going", Marina Rosenfeld "P.A./Hard Love", Epicentro do Bloquinho "Hegelianos de Direita", -notyesus> "Preto Sobre Preto", Kanye West "Yeezus", Aaron Dilloway "Siena", Fred P "Reach", BDOH001/BDOH002, "Newbreed Vibes Vol IV", Summer of Haze  "Ω†Р∆ЖΣНИΣ З∆К∆†∆ 8 ΩКН∆Х СƱПΣРМ∆РКΣ†∆".

Não são de 2013, mas estiveram comigo: 

Tommy Wright III "Memphis Massacre", DJ Paul & Lord Infamous "Come With me 2 Hell", Da Koopsta Knicca "Da Devils Playground: Underground Solo", D.O.N. "Under Pressure", Black Star "Mos Def & Talib Kweli are Black Star", Mos Def "Black on Both Sides", Slowdive "Souvlaki", Spiritualized "Ladies and Gentlemen we are Floating in Space", Godspeed You Crack Whore "Danger Zone", Dj Yo-Yo Dieting "Regurgitation as Birth", Diplo "Express Yourself", XXYYXX, Burial "Untrue", Salem "King Knight", NIKE7UP, New Dreams LTD Initiation Tape, Okkulte Stimmen - Mediale Musik, How Can I Keep From Singing, Gr†LLGR†LL "CD-R".


Thiago Miazzo
 

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