sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Retrospectiva 2013: 75 discos (Bernardo Oliveira)



algumas observações:

listologia (ou listomania) é fenômeno de época, que no entanto se constitui como um hábito antigo.

desde que o mundo é mundo, listam-se malefícios, sortilégios, desastres naturais, animais venenosos…

no âmbito da crítica atual, as listas traçam cartografias de experiências, mesmo que o autor não atente para isso.

às vezes, sem perceber, reivindica-se universalidade para algo que é necessariamente subjetivo.

é nadar contra a maré. 

listas funcionam mais como dispositivo referencial e troca de informações.

mas essa prática é também uma tentativa de fixar certas escolhas, certos caminhos.

por isso, às vezes é preciso negociar, cortar os dedos, plenejar estratégias.

por exemplo, ao longo do ano escutei mais “isaurinha” e “helena” (passo torto) do que “atlas” (dawn of midi).

mas me pareceu importante fixar o nome do trio nova-iorquino pelo conjunto do trabalho, inusitado e impactante.

assim, cada lista possui algo de misterioso, que não se esgota nos afetos intraduzíveis do autor.

os desdobramentos teóricos de uma sede constante. alguns interesses particulares. prazer, sobretudo prazer diante de um manancial inesgotável de expressões sonoras.

a elaboração das listas implica no desejo, nem sempre declarado, de troca e conhecimento.

nem mais, nem menos.

bernardo oliveira

ps.: com a galopante invasão dos comerciais anti-clímax no youtube, preferi deixar a pesquisa com o caro leitor. muita indicações podem ser encontradas no soundcloud ou no bandcamp. de resto, é aquilo: soulseek é meu pastor e nada me faltará. 

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das galáxias (sem ordem)


Lonnie Holley – Keeping a Record of It (Dust-to-Digital, EUA)


“Six Space Shuttles And 144,000 Elephants”: ruídos explosivos e, na sequência, o teclado ingênuo acompanhado por precários presets de bateria e um canto cuja procedência não se identifica imediatamente (Caribe? Nova Orleans?). Em “The Start of a River’s Run (One Drop)”, o cantor é acompanhado apenas por uma kalimba com efeito (delay?) durante sete minutos. Ai vem o nocaute: “Mind On”, seguida de “Sun & Water”, “From the Other Side of the Pulpit” e “Keeping a Record of It”, ambas com a participação de Bradford Cox. Ao fim do disco, a plena certeza de que Lonnie Holley é um artista para se acompanhar de perto.


Passo Torto – Passo Elétrico (YB Music, Brasil)

























Tendência saudável dessa turma de São Paulo: a falta de respeito com as tradições petrificadas, o desinteresse pelas sonoridades padronizadas, seja da MPB, do samba ou do rock. A poética cinzenta canta a solidão de um homem só (“Homem Só”), narra as desventuras do “símbolo sexual”, desconstrói os periquitos doutrinados da MPB (“Passarinho Esquisito”), canta outros nomes de mulher (“Helena” e “Isaurinha”) e termina com uma gargalhada homérica (“Rárárá”). O que importa é revirar o corpo moribundo da MPB, injetando-lhe a energia de outras sonoridades, reinventando seus mitos e canções.


Dawn of Midi – Dysnomia (Thirsty Ear, EUA)

























Já nos primeiros minutos revela-se o estranho enredo: músicos de jazz, munidos de seus instrumentos tradicionais, compõem a partir da emulação de células rítmicas do techno e demais batidas eletrônicas. A premissa é dura e, aparentemente, deixa pouco espaço para o instrumentista. Porém, o resultado é miraculoso: o trio consegue conciliar enredo cerebral com execução milimetricamente ensaiada, mas que nunca soa estudada. Como conciliar conceito tirânico e fluência expressiva? E, no fim das contas, pouco importa se a música é “acústica” ou “eletrônica”, pois estamos no terreno da indeterminação, da insegurança. E estamos bem.


Mammane Sani et son Orgue – La Musique Electronique du Niger (Sahel Sounds, Níger/EUA)

























Legendário tecladista nigerino, Mammane Sani Abdullaye começou a tocar órgão há quase 40 anos, mas só gravou seu primeiro e único álbum em 1978. Lançado agora pelo selo Sahel Sounds, o disco é um testemunho de uma sonoridade e de uma maneira de compor muito próprias. Muitas das faixas do disco são traduções atualizadas de canções antigas, ora as baladas polifônicas de Woodabee, ou os cantos pastorais do deserto. Poucos elementos, frequências improváveis e a valorização do silêncio, evocam o vazio da paisagem do deserto.


The Stranger – Watching Dead Empires in Decay (Modern Love, Reino Unido)

























Leyland James Kirby, ou The Caretaker, ou V/Vm, ou Notorius P.I.G., ou The Stranger, entre tantos outros pseudônimos. O que isso significa? Se você pensou: “ora, para cada projeto, uma sonoridade, certo?” Não necessariamente. No caso do The Stranger, um de seus projetos mais antigos, trata-se de um pseudônimo sujeito a mudanças internas. Seguindo a versatilidade de seus trabalhos como Leyland Kirby, sobretudo a série Intrigue And Stuff, Watching Dead Empires in Decay traz uma paleta sonora eclética — onde se pode ouvir até mesmo algumas percussões que se podem chamar de "regulares". 


Joachim Nordwall – Soul Music (Entr’acte, Reino Unido)

























O produtor sueco Joachim Nordwall é responsável pela iDEAL Recordings, membro do The Skull Defekts e, este ano, editou Monstrance, parceria com Mika Vainio. Mas foi em outubro, após escutar Soul Music, que realmente comecei a prestar atenção em seu trabalho. Não, não se trata daquele balanço negro norte-americano; a “soul music” de Nordwall é repetitiva, cíclica, mas não é fria. Com Jean-Louis Huhta nas percussões e operando o arsenal eletrônico-digital, composto por sintetizadores analógicos, geradores de sinais e demais efeitos, Nordwall explora intensidades e texturas com mão de ferro e inspiração.


Marina Rosenfeld  – P.A./Hard Love (Room40, Austrália)

























Entre 2009 e 2011, a artista americana Mariana Rosenfeld organizou uma instalação que consistia em um soundsystem customizado que deveria soar em um espaço monumental. Batizada simplesmente como “P.A.”, a instalação criava um ambiente multi-articulado, contando com o arsenal sonoro formado por caixas de graves (subs), microfones que realimentavam o som ambiente e sons eletroacústicos. Em 2012, Rosenfeld convidou a vocalista jamaicana Warrior Queen e a celista japonesa Okkyung Lee para acompanhá-la em uma versão gravada do projeto. A julgar por seu trabalho, Rosenfeld é uma artista que transita nas fronteiras, mas sua combinação de drone e ragga é um dos grandes achados desse ano.


Rob Mazurek Octet – Skull Sessions (Cuneiform Records/Submarine Records, EUA/Brasil)

























Formado a partir de uma combinação do São Paulo Underground com o Starlicker, o Rob Mazurek Octet é forma pelo baterista John Herndon, o vibrafonista Jason Adasiewicz, o flautista Nicole Mitchell, Guilherme Granado nos teclados e eletrônicos, Carlos Issa (Objeto Amarelo) na guitarra e nos eletrônicos, Maurício Takara na percussão e cavaquinho e Thomas Rohrer na rabeca e no saxofone. Em 73 minutos, o octeto conduz o ouvinte por cinco faixas que tanto podem se associar à noção geral de jazz (isto é, de improviso), como mantém laços criativos com duas ou três vertentes da música instrumental dos anos 70: a fase elétrica de Miles; o êxtase da “fire music”, e a música brasileira dos anos 70. Um time formado na base da amizade, o que se reflete na fluência com que passam do improviso à execução dos temas, do ruído à melodia mais singela, da cornucópia sonora aos detalhes mais imprevistos.


Matana Roberts – COIN COIN Chapter Two: Mississippi Moonchile (Constellation, EUA)

























Lançado em 2011, COIN COIN Chapter One: Gens de Coleurs Libres, obteve destaque na imprensa especializada ao sintetizar jazz, cantos e declamações, relacionando de maneira imprevista memória, som, imagem e poesia. A intenção é ressignificar os traços da cultura diaspórica americana como um dispositivo criativo endereçada ao futuro. O capítulo dois aprofunda esta pesquisa, substituindo as vozes do primeiro pela exploração de dinâmicas instrumentais caóticas, como se absorvesse a energia primordial do jazz que era executado nas ruas de New Orleans nos primórdios do século passado.


RP Boo – Legacy (Planet Mu, EUA)

























Neste exato momento, quando dois ou três artistas oriundos da cena juke/footwork de Chicago se destacam — a saber, a dupla Rashad & Spinn e Traxman — uma olhada superficial sobre as produções mais recentes demonstram a gradual acomodação do estilo aos compassos marcados do R&B, do hip hop, do techno. Legacy vai em outra direção, retomando a aceleração do juke e reaproximando-o do techno. Eis um álbum que pode ser decisivo para os próximos passos dos produtores do Footwork — afinal, nada como um passo atrás, um olhar sobre o que foi “legado”, para indicar, ou ao menos sugerir os passos seguintes.


Kevin Drumm – Tannenbaum (Hospital Production, EUA)

























A materialidade evidente das “coisas” de Kevin Drumm (assim o autor se refere às suas composicões), resulta da fricção entre o mundo interno e o mundo externo. Sim, Drumm é um solipsista convicto e Tannenbaum uma plataforma apta a deixar-se imprimir por experiências materiais concretas, como o inverno, a umidade, a eletricidade. Ou, ainda, se se preferir, a música concreta, a acusmática, o drone. Uma audição que requer tempo e dedicação, mas que recompensa o ouvinte com momentos de “stasis orgânica” que caracteriza o conceito de drone.


Mohammad – Som Sakrifis (PAN, Grécia/Alemanha)

























Formado pelos músicos gregos Coti K (contrabaixo), ILIOS (osciladores de frequência) e Nikos Veliotis (cello), o Mohammad opera um sistema de intermodulação — grosso modo, que consiste em obter sons inarmônicos, explorando o choque entre frequências não-lineares. Música erudita? Música eletrônica? Música de câmara? Drone? “Modern Classical”? Nenhum elemento qualitativo pode responder pela forma de Som Sakrifis, sem que se sacrifique (!) alguma característica fundamental.


William Winant – Five American Percussion Pieces (Poon Village, EUA)

























O percussionista norte-americano William Winant acompanhou meio mundo. A lista é tão impressionante quanto interminável: John Zorn, Mike Patton, John Cage, Iannis Xenakis e Anthony Braxton, entre outros. Percussionista de vanguarda com sensibilidade para se especializar em Lou Harrison e cair nas loucuras do Mr. Bungle, Winant coletou cinco gravações de peças para percussão, compostas por compositores americanos. Gravadas em épocas e locais diferentes, Five American… pode servir de guia através da evolução do trabalho de Winant, um percussionista de vanguarda com sensibilidade para se especializar em Lou Harrison e cair nas loucuras do Mr. Bungle. As composições são de autoria de Michael Byron (“Trackings I”, Toronto 1976), Alvin Curran (“Bang Zoom Excerpt”, Oakland, 1995), James Tenney (“Having Never Written a Note for Percussion”, Oakland, 2013) e Lou Harrison (“Song of Quetzalcoatl”, Berkeley 1993 e “Solo to Anthony Cirone”, Aptos, 2002). 


Daniel Menche – Marriage of Metals (eMego, Áustria/EUA)

























Daniel Menche é um compositor e pesquisador de Portland, cujo trabalho se concentra na seara dos sons abstratos — ruídos, névoas, nevascas. Ano após ano, o compositor vem expondo ideias e experiências sonoras em relação as quais é difícil ficar indiferente. No caso de Marriage of Metals, trata-se da manipulação dos sons metálicos do gamelão através de efeitos como o fuzz e a distorção. Utilizando-se quase que exclusivamente do gongo — esfera rígida de aço, fundamental em um ensemble de gamelão — Menche conduz o ouvinte por um contínuo sonoro situado entre a força telúrica do metal e a firme consciência de compositor. 


Body/Head – Coming Apart (Matador, EUA)

























Quando o Sonic Youth encerrou as atividades, muitos apostavam que Lee Ranaldo e Thurston Moore retomariam seu trabalho experimental, o que só se confirmou no caso do segundo. Mas quem diria que Kim Gordon reapareceria com dois discos e um EP em modo totalmente free, explorando drones calcados na estridência das guitarras distorcidas e dos feedbacks? Ao lado de Bill Nace, parceiro de Thurston Moore, Paul Flaherty e Joe McPhee, Gordon gravou um disco sem meias palavras ou meias intenções. Coming Apart começa com o bordão: “I can only think of you in a asbtract”, e prossegue elaborando de forma milimetricamente desajeitada, uma poética entre a dor e a afirmação do feminino. Um disco de despedida, como deixa claro o título.


Phil Niblock – Touch Five (Touch, Reino Unido)

























O compositor norte-americano Phil Niblock é reconhecido pela composição de longos drones, calcados na exploração das frequências e de microtons. Neste sentido, o presente trabalho contém dois métodos de exploração. O primeiro CD, que compreende as faixas “Feedcorn Ear” e “A Cage of Stars”, foi elaborado segundo o método com o qual Niblock trabalha desde 1968: instruir o músico a executar determinados sons, gravá-los e, através de justaposição, provocar uma variedade de microtons. Arne Deforce e Rhodri Davies foram os músicos escolhidos para essa tarefa. No caso de “Two Lips”, ao invés de instruir o músico a executar o timbre, Niblock lhe fornece a referência  através dos headphones, isolando-o de qualquer referiencia, o que, de certa forma, multiplica os microtons. Para se escutar alto e com altas doses de concentração.


–notyesus – Preto sobre preto (Toc Label, Brasil)























Pensando a música de ruídos no Brasil, não se pode afirmar que se trata de uma novidade, pois existem artistas operando nessa seara há muitos anos. Um dos trabalhos mais fortes (e mais antigos) que escutei esse ano na seara dos ruídos foi lançado pela dupla –notyesus>, formada pelos compositores Rafael Sarpa e nosso colaborador, J-P Caron. Gravado em 2007 no Plano B (Lapa/RJ) e lançado pela Toc Label de Thiago Miazzo (La Casa Cannibale, colaborador do Matéria) e Cadu Tenório (Sobre a Máquina, VICTIM!, Ceticências), Preto Sobre Preto é uma experiência calcada no controle e no excesso, que opera os volumes como informação sonora fundamental. Em “B-Alúria”, o poema de Gabriela Nobre é declamado por Sarpa de forma econômica, quase monótona. A capa de Fernando Lopes e Miazzo, funciona como metáfora do desafio: um papel-lixa sugere a materialidade do som, que se dirige não só aos ouvidos, mas, sobretudo, ao corpo. 


Otomo Yoshihide, Sachiko M, Evan Parker, John Edwards, Tony Marsh, John Butcher – Quintet/Sextet (Otoroku, Japão/Reino Unido)

























Otomo Yoshihide toca guitarra e recebe os amigos para uma jam sessions no Café Oto, Londres. O álbum se organiza em um quinteto, um sexteto e dois duos. Na primeira faixa, o “Quintet” com Sachiko M (aparelhos eletrônicos), Evan Parker (saxofone), John Edwards (contrabaixo) e Tony Marsh (bateria). No “Sextet”, acrescenta-se a presença de John Butcher, que nas faixas seguintes é acompanhado por Yoshihide e Sachiko M, respectivamente. O resultado é imprevisível, mesmo após a primeira audição, pois as audições seguintes iluminam outros diálogos travados por esses verdadeiros mestres da improvisação.


Ron Morelli – Spit (Hospital Productions, EUA)




Produtor norte-americano situado no Brooklyn, até então Ron Morelli era mais conhecido por ser o responsável pelo selo L.I.E.S.. Contudo, Spit, seu primeiro trabalho solo, mudou o rumo da prosa. Soa como um experimento dos mais estranhos na seara do techno lo-fi. Spit foi lancado através do selo de Dominck Fernow, o Hospital Productions, com quem Morelli compartilha, em suas próprias palavras, “o medo e a repulsa das relações humanas básicas”. Sonoridades diáfanas, batidas repetitivas e descontrole são alguns dos atributos desse trabalho que, ao traduzir o niilismo do autor, soa absolutamente particular.


Vermes do Limbo – Adeus Igapó (s/g, Brasil)

























Vinte e quatro minutos, dezenove faixas, nenhuma com mais de dois minutos e meio. A sonoridade geral é de baixa qualidade (lo-fi), a capa é estranha, exibe um monstrengo. Pouco se ouviu falar do Vermes do Limbo na música brasileira em 2013, mas, por favor, ouçam-me: essa é uma das maiores bandas em atividade no Brasil. Acumulando dezessete anos de estrada, oriundo da mesma Londrina que revelou Arrigo Barnabé, o Vermes do Limbo continua fazendo rock, mas com personalidade de sobra. Como eu dizia, são dezenove faixas distribuídas pelos parcos vinte e quatro minutos do disco, onde se pode escutar uma profusão de ideias instrumentais e conceituais. Rock lo-fi é muito pouco para definir o som do grupo. 


Justin Timberlake – 20/20 (1 of 2) (RCA, EUA)

























Justin Timberlake dá um grande passo na construção de seu pop futurista, turbinado pelos tratamentos preciosos da black music de Timbaland. A dupla condensou no mesmo caldeirão o pré-R&B do New Edition, algo das temáticas caras a seu passado boy band e, acima de tudo, a presença de Michael Jackson. De Michael, Timberlake toma emprestadas as formações vocais sinuosas, lapidadas a partir do legado do spirituals norte-americano; das boy bands, o universo romântico juvenil esfacelado pelas experiências amorosas da maturidade. Mas o barato todo está na concepção do arranjo e da instrumentação, que leva todo esse legado adiante.


Bassekou Kouyate & Ngoni ba – Jama Ko (Out Here Records, Mali/Alemanha)

























A sonoridade de Jama Ko é mais frenética e agitada que seus álbuns anteriores, Segu Blue (2006) e I Speak Fula (2009). Embora pareça bastante provável que tais características decorram de um conturbado contexto político — basta dizer que o álbum foi gravado no Mali, durante o golpe em março de 2012 — convém destacar os elementos propriamente musicais que contribuíram para o êxito de Jama Ko: punch das percussões e dos ngonis, sem prejuízo para as sutilezas das justaposições rítmicas e harmônicas. 


Omar Souleyman – Wenu Wenu (Ribbon Music, Síria/Reino Unido)

























Aqueles que, como eu, se acostumaram a pensar a música de Omar Souleyman sob a ótica do frenesi precário das gravações lançadas pela Sublime Frequencies, podem ter se surpreendido com a limpeza de Wenu Wenu. Porém, está tudo ali: o teclado “neurótico”, a voz impassível, o balanço simpático e vagabundo dos presets de bateria eletrônica. Todos os elementos reinterpretados pela produção segura de Kieran Hebden (Four Tet), que conseguiu extrair uma sonoridade mais robusta de cada um dos instrumentos. Na minha opinião, mais uma faceta admirável do artista sírio que já foi citado como "o rei dos batizados e casamentos".


Okkyung Lee – Ghil (Ideologic Organ, Japão/Áustria)

























Há pouco menos de dez anos, Okkyung Lee vem se destacando com seu trabalho que combina execução extraordinária do cello e aplicação de efeitos. Sua gama de participações inclui pelo menos três álbuns dessa lista, sua produção é volumosa, e entre seus parceiros de improvisação estão Evan Parker, Peter Evans, C. Spencer Yeh, entre outros. Também não é a primeira vez que ela grava um album completamente solo — há também I Saw The Ghost Of An Unknown Soul And It Said..., de 2008. Mas, parece que não há dúvidas, Ghil é um salto em seu trabalho. Sobretudo pela contribuição inestimável do produtor Lasse Marhaug, que gravou e editou apresentações da celista, usando microfones baratos, gravadores vintage e outras técnicas. 


Chris Watson – In St Cuthbert’s Time (Touch, Reino Unido)

























Membro fundador do Cabaret Voltaire, o inglês Chris Watson é outro artista que, ano após ano, opera no limite, nas fronteiras das muitas possibilidades estéticas. Músico e pesquisador, voltado para as gravações de campo (os chamados field recordings) e a manipulação de registros de sons naturais, cria ambientes que transitam entre o familiar e o espectral. Há dois anos, sob a inspiração de Pierre Schaeffer, gravou e editou sons extraídos de uma linha de trem no México, que resultou nas composições de El Tren Fantasma. Neste novo trabalho, Watson pesquisou o ambiente sonoro da ilha de Lindisfarne, tal como teria sido experimentada por São Cutberto de Lindisfarne, 700 anos a.C.. Um exercício intrigante de composição, situado entre a simulação e o registro.

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+ 50 sinistros

Äänipää – Through a pre-memory
Aaron Dilloway – Siena
Bill Orcutt & Chris Corsano - The Raw and the Cooked
Born Of Six – Svapiti
C. Spencer Yeh, Okkyung Lee, Lasse Marhaug – Wake Up Awesome
Ceticências – Pillow
Demdike Stare – Testpressing (4 volumes)
Dieuf-Dieul De Thiès – Aw Sa Yone Vol. 1
DJ Rashad – Double Cup
EMMplekz – Your Crate Has Changed 

eMMplekz

























Epicentro do Bloquinho – Hegelianos de Direita
Evan Parker, Craig Taborn, Sam Pluta, Peter Evans Rocket Science
Fire! – (Without Noticing)
Four Tet – Beautiful Rewind
Gabriel Saloman – Soldier's Requiem
Hailu Mergia & His Classical Instrument – Shemonmuanaye
Heatsick – Re-Engineering
Huerco S – Collonial Patterns
Hy Brazil Vol 2: New Experimental Music From Brazil
Idassane Wallet Mohamed – Issawat

Hailu Mergia

















Ikue Mori/Steve Noble – Prediction and Warning
James Plotkin/Paal Nilssen-Love – Death Rattle
John Butcher, Thomas Lehn & John Tilbury – Exta
John Zorn – Dreamachines
John Zorn & Thurston Moore – “@”
Julia Holter – Loud City Song
Keiji Haino, Jim O'Rourke, Oren Ambarchi – Now while It's Still Warm Let Us Pour in All the Mystery
M.I.A. – Matangi
Mats Gustafsson & Thurston Moore – Vi Är Alla Guds Slavar
Michael Pisaro – The Punishment of the Tribe by Its Elders

Keiji Haino















Mika Vainio & Joachim Nordwall – Monstrance
Miles – Fainted Heart
Morphosis – Dismantle
Mulatu Astatke – Sketches of Ethiopia
My Bloody Valentine – M B V
Pharmakon – Abandon
Porto – Odradek
Rashad Becker – Traditional Music of Notional Species Vol. I
Rob Mazurek Exploding Star Orchestra – Matter Anti-Matter
Roscoe Mitchel – Duets with Tyshawn Sorey

Richard Ribeiro (Porto)















São Paulo Underground – Beija Flors Velho E Sujo
Satanique Samba Trio – Bad Trip Simulator #3
Senking – Capzise Recovery
SK Kakraba Band
The Haxan Cloak – Excavation
The Thing – Boot!
VA – Livity Sound
Vampire Weekend – Modern Vampires Of The City
Wanda Group – A Slab About Being Held Captive
Yves de Mey – Metrics

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Coletâneas, Relançamentos, edições especiais
Ali Mohammed Birra (Ethiopiques 28) – Great Oromo Music
Dieuf-Dieul De Thiès – Aw Sa Yone Vol. 1
Ethnic Minority Music Of Southern China
Hailu Mergia & His Classical Instrument – Shemonmuanaye
Iannis Xenakis – GRM Works 1957-1962
Ilaiyaraaja (com Malaysia Vasudevan) – Ilectro!
Mark Ernestus presents Jeri-Jeri – Ndagga Versions
Mark Ernestus presents Jeri-Jeri – 800% Ndagga 
Kenya Special: Selected East African Recordings from the 1970s & '80s
Keysound Recordings Present… This Is How We Roll
Laraaji – Celestial Music 1978-2011
Lux / Sleeping Ute (Nicolas Jaar Remixes)
Neil Young – Live at the Cellar Door
Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou – The Skeletal Essences of Afro Funk 1969-1980 Vol.3
Quasimoto – Yessir Whatever
Robert Wyatt – '68
The Group – Live
VA – New German Ethnic Music – Immigrant's Songs From Germany Electronically reworked
Wah Wah Watson – Elementary
Who's That Man – A Tribute To Conny Plank
Wicked Witch – Chaos: 1978-86
Kassidat, Raw 45s From Morocco
Zambia Roadside 2

Caixas
Can (box set)
Long Story Short - Brötzmann (curador)

Shows
DEDO + Bemônio – Quintavant/RJ
Pharoah Sanders & São Paulo Underground – Virada Cultural/SP
Rob Mazurek & Guizado – Virada Cultural/SP
Grizzly Bear – Circo Voador/RJ
The Thing & Joe Mcphee – SESC Belenzinho/SP
Arto Lindsay & Paal Nilssen-Love – Quintavant/RJ
Levy Lorenzo – Plano B/RJ
Passo Elétrico – Quintavant/RJ (julho)
Metá Metá – CCSP/SP
-notyesus> – Antimatéria /RJ
Ceticências – Antimatéria /RJ
Marc Ribot, Henry Grimes e Chad Taylor – Café Oto/Londres
Ken Vandermark & Paal Nilssen-Love – Café Oto/Londres
AMM – Café Oto/Londres
Acid Mother Temple – Corsica Studio/Londres
Ceticências/Chelpa Ferro – Circo Voador/RJ
Negro Leo + Baby Hitler + Léo Massacre – Circo Voador/RJ
Matana Roberts – Quintavant/RJ
David Toop + Chelpa Ferro – Novas Frequências/RJ
Miles – Novas Frequências/RJ
Stephen O’Malley – Novas Frequências/RJ
São Paulo Underground – Novas Frequências/RJ

Shows perdidos
Mike Watt – Studio RJ/RJ
Roscoe Mitchell – SESC Belenzinho/SP 
Arthur Lacerda, Cadu Tenório e Sávio de Queiroz – Audio Rebel/RJ
Duplexx – Plano B/RJ
Iva Bittová – Laura Alvim/RJ

Uma mixtape

Um soundcloud

Um bandcamp (dois)

Um videoclip
“Still Life”  Oneohtrix Point Never



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